Módulo 6: Skills e desenvolvimento por especificação
Skills são procedimentos reutilizáveis em Markdown carregados na hora certa. Como elas resolvem o problema do chat eterno e por que especificar antes muda o resultado.
O problema que a skill resolve
Você já fez isso: abriu um chat, passou horas explicando exatamente como quer uma thumbnail e, dali em diante, toda vez que precisava de uma thumbnail voltava naquele mesmo chat.
Reutilizar conhecimento é certo. O jeito é que está errado. Aquele chat é uma janela de contexto infinita que você já esgotou, com centenas de milhares de tokens de lixo acumulado, e você reingere tudo aquilo toda vez.
Skills, ou habilidades, são a forma certa de fazer a mesma coisa. São procedimentos reutilizáveis: arquivos de texto em Markdown que fazem coisas específicas e muito bem definidas, coisas que você sempre vai precisar fazer.
A característica principal delas é que são instrução especializada carregada no momento certo. Não ficam ocupando espaço o tempo todo, entram quando são chamadas.
O que você ganha: padroniza processos complexos que se repetem, reduz inconsistência e depende menos de sorte.
Onde elas moram
Todo harness tem uma pasta com o nome dele na sua máquina:
| Harness | Pasta | Arquivo global |
|---|---|---|
| Claude Code | .claude |
CLAUDE.md |
| OpenCode | .agents |
AGENTS.md |
| Gemini | .gemini |
GEMINI.md |
| Codex | .codex |
AGENTS.md |
Markdown é a extensão .md. É basicamente uma forma simplificada de escrever HTML, e é o melhor formato para trabalhar com IA, porque os modelos são treinados para interpretar Markdown com facilidade. Sempre dê preferência a ele.
Cuidado com o arquivo global
O arquivo global (CLAUDE.md e companhia) tem uma característica perigosa: ele é lido 100% das vezes, em toda requisição, e você não pode fazer nada a respeito. Pode apagá-lo, isso sim.
Ler a mesma coisa o tempo inteiro lota a sua janela de contexto e desperdiça token. Então ali só entra o que vale para todos os seus projetos, coisas genéricas e amplas:
- Sempre responda em português do Brasil.
- Responda de forma concisa.
- Sempre registre as alterações que fizer.
Nada específico de projeto vai ali dentro. Se você está desenvolvendo um canal, isso vira skill, ativada só naquele contexto.
Como chamar uma skill
Dentro de cada pasta de skill existe um arquivo SKILL.md. Abrindo, você descobre que não tem mistério nenhum: é texto. Só que texto muito bem definido e estruturado, como se fosse um prompt gigante e organizado.
Para usar, você digita / seguido do nome da skill e, na mesma linha, o seu pedido. Chamar a skill sozinha só carrega ela no contexto sem fazer nada útil.
Duas skills que valem conhecer
HyperFrames, da HeyGen (a mesma empresa de vídeo), é uma skill de motion graphics feito com programação em vez de animação manual. É ela que gera aqueles vídeos em HTML, CSS e JavaScript que depois viram MP4. No repositório existe uma pasta de skills com várias habilidades prontas, incluindo uma de Figma e um explicador faceless criado justamente para canais sem rosto.
Humanizer é a skill que tira aquela sensação de texto escrito por IA. Ela identifica cerca de 35 padrões tirados da própria Wikipedia que se repetem em texto gerado, checa o seu texto contra a lista, reescreve o que precisar e ainda te avisa o que mudou. Padrões típicos: uso de travessão, uso de emoji, cadência repetitiva.
O ponto fraco dela é honesto: foi muito bem treinada para o inglês. Em português você sente menos diferença. Só que isso é adaptável, e é justamente aí que mora a oportunidade.
Instalar uma skill sem sofrimento
Tem o passo a passo do repositório, e tem o jeito preguiçoso que funciona: copia a URL do repositório, cola no seu harness favorito e fala “instale essa skill para mim”. Ele resolve os problemas sozinho, e se precisar instalar outra coisa no meio do caminho, instala.
Criar as suas próprias skills
Esta é a parte que mais vale para você:
- Abre um chat e conversa. Explica tudo que você gosta, o que quer, o que não quer. Pode levar algumas horas ou alguns dias.
- Quando ele finalmente fizer exatamente o que você queria, digita: “ok, transforme todo esse processo numa skill”.
- Pronto. Nunca mais precisa daquele chat nem de repetir o briefing. É só
/nome-da-skill.
Isso funciona em qualquer harness. E funciona para qualquer coisa padronizável: pesquisa de canais para modelar, roteiro, storyboard, revisão. Tudo que você faz sempre igual pode virar skill.
Vale também o caminho inverso com o Humanizer: instalar, passar semanas treinando com o seu jeito de escrever e transformar aquilo numa skill nova, sua, em português e com a sua voz.
Spec-driven development
Ligado a tudo isso existe um conceito que ganhou força e que quase ninguém aplica: desenvolvimento guiado por especificação.
A premissa parece óbvia: antes de produzir, defina muito bem o que você quer. Só que a maioria não faz.
Especificação é o que guia o trabalho da IA e o que separa um resultado bom de um medíocre. Você pensa em tudo primeiro, especifica exatamente o que quer, define todos os padrões de qualidade e de revisão. Depois você produz.
Na prática, isso vira uma pasta de documentação (uma docs/, por exemplo) com os seus objetivos e padrões de qualidade escritos. E só então o processo começa a rodar.
Essa ideia é o alicerce do próximo módulo.
Próximo módulo
No Módulo 7 vêm os dois conceitos que quase ninguém na bolha de canal dark está discutindo: gauntlet loop e graph engineering.
