Trilha de Formação · IA para CriadoresAcesso Livre

Módulo 10: Montando a esteira de produção

A parte prática: estrutura de repositório, gates, arquivos de especificação, uma skill por etapa e o loop de validação. Mais duas aplicações de negócio para o que você aprendeu.

A estrutura geral

Você cria um repositório, uma pasta no seu computador, e cada nome ali dentro vira um agente e uma etapa da sua pipeline. O caminho, do começo ao fim:

  1. Intake. O formulário inicial de um episódio novo: título, tema, duração pretendida, audiência, um esboço de estrutura.
  2. Pesquisa. Gera o briefing.
  3. Gate humano. Você revisa.
  4. Roteiro.
  5. Gauntlet. O loop de revisão do roteiro contra os critérios.
  6. Áudio.
  7. Storyboard.
  8. Renderização.
  9. Revisão final antes do upload.

Como organizar as pastas

A recomendação padrão é uma pasta por canal. A exceção é quando você tem literalmente uma fábrica de canais: se é o mesmo tipo de canal em vários idiomas, produzido do mesmo jeito, faz sentido uma pasta-mãe (por exemplo, um canal de terror com stick figures) e dentro dela br, es, en.

No mínimo, você precisa de três coisas:

  • Uma pasta de skills, que são os seus agentes.
  • Uma pasta de especificações.
  • Uma pasta de assets: imagens, logos, músicas, efeitos sonoros.

O arquivo que amarra tudo: agentes.md

Este é o mapa do processo, e vale abrir em modo leitura para enxergar as colunas. Cada linha é um gate, e as colunas dizem:

  • Pré-requisito: quais arquivos de especificação aquele agente lê.
  • O que ele faz.
  • Saída: qual arquivo ele produz.

Na esteira usada como exemplo no curso são nove gates. O primeiro agente, o de pesquisa, tem como pré-requisito o arquivo gerado assim que você preencheu o formulário de intake.

Os contratos, na prática

intake.json

É a especificação de entrada, e define tudo que precisa existir antes de qualquer coisa acontecer:

  • Identificador do vídeo
  • Canal associado
  • Tema do episódio
  • Hipótese
  • Público
  • Duração pretendida
  • Fontes obrigatórias, se você quiser restringir de onde ele pode tirar informação
  • Formato (documentário, explicativo)
  • Restrições
  • Estrutura sugerida: gancho, contexto, evidência, consequências, conclusão, CTA

Isso não é regra fixa. Você monta de acordo com o seu gosto e o seu conhecimento. Mas ter estrutura é inegociável.

pesquisa.json

O agente de pesquisa lê o intake, pesquisa, analisa e devolve um arquivo com uma separação que é a parte mais bonita do sistema:

  • Fatos confirmados, cada um com a fonte e o tipo da fonte (paper, documentação oficial, artigo).
  • Alegações não confirmadas, com a explicação de por que não passaram.
  • Ângulos propostos.
  • Riscos editoriais, ou seja, por que esse vídeo pode dar errado ou perder monetização.
  • Riscos legais.

Uma skill por etapa

Praticamente cada etapa tem uma skill especializada, treinada com as suas especificações e treinada também para criar novas especificações.

Elas são mais simples do que parecem. A skill de pesquisa, por exemplo, tem basicamente:

  • Objetivo: transformar a pauta recebida do intake numa pesquisa estruturada e verificável.
  • Entrada: tudo que ela vai ler. Inclui a memória do canal, que é o ponto crítico. Todo prompt precisa revisitar o perfil do canal: tom de voz (antiguru, no caso), público-alvo, e as pautas já usadas, para evitar ângulo repetido.
  • Processo: o fluxo que ela deve seguir.
  • Saída: o arquivo pesquisa.json e a estrutura dele.
  • Regras rígidas.

E tem um detalhe que fecha o ciclo: toda vez que o sistema cria um vídeo, ele atualiza a memória com o tema, justamente para não se repetir depois.

A skill de roteiro segue a mesma lógica: lê as especificações, o guia de estilo e o perfil, produz o roteiro e gera um arquivo final com gancho, texto, estimativa em segundos e uma primeira indicação de como o visual daquele vídeo deve ser.

O arquivo de especificações

Um especificacoes.yaml (ou o formato que você preferir) guarda o que saiu do formulário inicial e o que define qualidade: duração, quantidade de palavras, e as categorias de conteúdo que o sistema deve separar (fato confirmado, alegação em investigação, opinião editorial), além de estilo e idioma.

Mudar um vídeo de tamanho vira editar um campo, não reescrever prompt.

A skill de loop

É a mais complexa das skills, e é onde moram os validadores:

  • Verifica se os blocos existem e estão na ordem correta.
  • Verifica se o gancho aparece antes dos primeiros 15 segundos.
  • Verifica a contagem de palavras.

E define os critérios de parada, que são obrigatórios: atingir todas as notas mínimas ou no máximo três iterações. Se ele parar por ter estourado as três tentativas, não pode gerar a aprovação do roteiro final. Ele emite uma notificação e um humano vai olhar.

Agora é pegar essa mesma lógica e repetir para áudio, storyboard e o resto.

A recomendação prática: faça uma interface web

Fazer um site para gerenciar a sua própria esteira é o que mais muda o dia a dia. Fica muito mais fácil arrastar coisas, visualizar cenas e acompanhar o estado de cada gate do que ficar navegando em pasta.

Se você quiser uma referência pronta de como uma pipeline dessas se organiza, o OpenMontage é um bom lugar para estudar: os arquivos que ele gera seguem exatamente essa mesma estrutura de JSON, e o storyboard dele é um bom modelo. Ele automatiza inclusive B-roll, puxando de Pexels, Pixabay e Unsplash com as suas chaves, ou gerando com IA.

Duas aplicações do que você aprendeu

Sites para microempresários

Um sistema que entra no Google Maps, busca um profissional específico numa cidade (“dentistas em Sertãozinho”), filtra por critério (distância, quantidade e nota das avaliações), puxa as informações do profissional e gera um site novo automaticamente. Tudo isso numa interface web onde você compara o site atual com o novo, e que já te entrega o contato e a copy de abordagem.

Uma dica de posicionamento: filtre por avaliações boas. Você quer o seu nome associado a profissionais bons.

Isso só é possível se você dominar os conceitos deste curso: harness, skills, IDE e especificações que definam quando o site está bom e quando não está. Sem isso, você se perde no processo. E é escalável: com token disponível, dá para gerar dezenas de propostas por dia. Um site desses vende por, chutando baixo, mil reais.

O aviso: vai levar tempo até o sistema ficar realmente bom, e você vai precisar estudar um pouco de vendas para saber como abordar.

Canais

Aqui o limite é a imaginação. Um exemplo concreto: canal de idiomas usando motion design. É um mercado saturado, mas quase ninguém faz de forma consistente com motion. O padrão do mercado ainda é o trabalho porco de slop: uma imagem estática e legenda passando por cima.

Você pode combinar motion, B-roll, vídeo real, elementos gerados por IA, stick figures, documentário. O que quiser. Gastando de uma semana a dez dias montando o sistema direito, você acaba com algo muito bom e do seu jeito.

O fechamento

O panorama era esse: modelos, APIs, o que é um harness, os loops, os grafos e a importância da revisão humana.

Agora é com você. Decida um nicho, defina a identidade visual do canal, escolha os seus modelos, faça pesquisa e veja se vale mais a pena usar API do que pagar assinatura. Se você produz um vídeo por semana e não usa IA na vida pessoal, provavelmente vale.

O objetivo era melhorar alguma etapa: o processo, a qualidade ou o bolso.

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